Forças Evolutivas

Publicado: 27 de fevereiro de 2016 em Sem categoria

Na postagem anterior falamos sobre a seleção natural e seus tipos e destacamos sua importância como uma força evolutiva. Entretanto, ela não é a única força evolutiva existente. Existem outros fatores capazes de afetar a variabilidade genética e, consequentemente, a capacidade de adaptação de uma dada espécie ao ambiente onde vive.  Considerando isso, há outras três forças evolutivas essenciais:

a) Deriva Gênica: geralmente ocorre com populações de pequeno tamanho. Em função do tamanho da população, a probabilidade de cruzamento entre indivíduos com grau próximo de parentesco (endocruzamento) se eleva. Considerando o grau de parentesco existente entre os indivíduos integrantes da população, pode-se inferir que eles possuam caracteres genéticos similares ou mesmo idênticos. Desse modo, cruzamentos entre eles provocariam uma redução da variabilidade genética da população, reduzindo sua capacidade de adaptar-se às mudanças no ambiente. As reduções drásticas das populações podem ocorrer em função de eventos, como, por exemplo, desastres ecológicos, incêndios florestais, inundações, etc. Analisemos a figura abaixo. Considere a existência de uma população inicial (com tamanho normal) e variabilidade genética (repare que há indivíduos vermelhos e amarelos). Então, consideremos a ocorrência de um desastre ambiental na área ocupada por essa população; o que ocorrerá com seu tamanho? Repare que a situação B da figura indica uma redução drástica no tamanho da população e uma prevalência maior de indivíduos vermelhos em detrimento dos indivíduos amarelos. O que ocorrerá com essa população após um tempo? Repare que a situação C mostra o que pode vir a ocorrer com a população; ela perderá sua variabilidade genética (repare que restam apenas indivíduos vermelhos). Vale ressaltar que o esquema é simplificado se comparado a uma situação real, haja vista que o desaparecimento de determinada característica pode levar muitos anos para ocorrer. No entanto, em situações de desastre tais eventos podem ocorrer mais rapidamente em função de ter sido provocada por uma alteração extrema no ambiente.

deriva gênica

b) Migração: é um movimento de entrada ou saída de indivíduos de uma determinada população. Estas ações de deslocamento entre populações elevam o fluxo gênico entre populações distintas de uma mesma espécie. Desse modo, a probabilidade de endocruzamento (cruzamento entre parentes) se reduz, favorecendo o aumento da variabilidade genética da população e sua capacidade de adaptação às mudanças no ambiente. Um exemplo clássico da importância do fluxo gênico são os CORREDORES ECOLÓGICOS, que permitem o trânsito de fauna entre populações distintas de uma mesma espécie. Analisemos a figura abaixo, para ilustrar esta questão. Repare que o esquema apresenta três populações distintas (A, B e C), que vivem em territórios distintos. A população A é formada predominantemente por indivíduos vermelhos e poucos amarelos com borda vermelha. A população B é formada predominantemente por indivíduos amarelos com borda vermelha e poucos indivíduos vermelhos. Por fim, a população C é formada somente por indivíduos amarelos. Considere que o cruzamento de indivíduos vermelhos e amarelos produz indivíduos amarelos com borda vermelha, ou seja, trata-se de um caso de codominância, onde o cruzamento entre dois indivíduos (neste, vermelhos e amarelos) produz um fenótipo intermediário (amarelo com bordas vermelhas). O que irá ocorrer se estes indivíduos puderem migrar entre essas populações? Observe no esquema que indivíduos vermelhos podem migrar das populações A e B para a população C, inserindo esta nova característica nesta população. Repare também que indivíduos amarelos (inexistentes na população A) poderão migrar para esta população, inserindo uma nova característica nela. Repare que mesmo a migração de indivíduos amarelos com bordas vermelhas para a população C, pode permitir o aparecimento da característica vermelho nesta população. Com isso, demonstramos que a migração permite o fluxo de genes, aumentando a variabilidade genética das populações.

Migração

c) Mutação: caracteriza-se por uma alteração genética aleatória (ou induzida em alguns casos) na sequência de nucleotídeos existentes no DNA. Devido à alteração em nível de genes, poderá ocorrer alteração no fenótipo do indivíduo. Essa alteração, por sua vez, pode aumentar ou reduzir a capacidade de adaptação do indivíduo às mudanças do ambiente. Um exemplo clássico de mutação desvantajosa (deletéria) é a alteração no gene da hemoglobina humana; indivíduos normais produzem hemoglobina normal e transportam oxigênio; indivíduos que possuem mutação neste gene produzem uma hemoglobina alterada e desenvolvem uma doença chamada anemia falciforme.

 

Bom estudo!!

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