Arquivo de setembro, 2014

2º EXAME DE QUALIFICAÇÃO – UERJ 2015

Publicado: 15 de setembro de 2014 em Sem categoria

Ontem foi dia de prova. A UERJ aplicou seu segundo exame de qualificação e aqui trazemos os comentários das questões de biologia presentes na prova. Fiquem atentos, pois ainda nesta semana começaremos a postar resoluções dos exames discursivos de biologia da UERJ separados por área da biologia. Bons estudos!!!

Acessem o link com a prova de ontem: http://www.vestibular.uerj.br/portal_vestibular_uerj/arquivos/arquivos2015/provas_e_gabaritos/2eq/2015_2eq_prova.pdf

COMENTÁRIOS:

30) Esta questão aborda a relação entre fragmentação de habitat e extinção. Inicialmente, para resolvê-la precisamos compreender estes dois conceitos. A fragmentação de habitat é um processo em que ambientes, anteriormente contínuos, foram sendo fragmentados em manchas menores. Um exemplo clássico é o caso da Mata Atlântica, que antes ocupava praticamente todo o litoral brasileiro e que hoje está restrita a apenas algumas manchas isoladas. O isolamento dos fragmentos, por sua vez, dificulta a migração de indivíduos entre os fragmentos, ou seja, reduz o fluxo de genes entre as populações dos diversos fragmentos. Esse fator associado ao tamanho pequeno das populações presentes nos fragmentos é um grande responsável pela ocorrência de extinções de espécies. Mas por que isso? Em populações de pequeno tamanho, a chance de ocorrer endocruzamento (entre indivíduos geneticamente próximos ou mesmo parentes) é maior. Com isso, a população tende a se uniformizar, ou seja, está sujeita à perda de variabilidade genética. Com isso, as populações perdem sua capacidade de se adaptar melhor às diversas mudanças que ocorrem no ambiente, tornando-se suscetíveis. Então, o risco das espécies se extinguirem torna-se maior. Esse processo em que as populações de tamanho pequeno perdem variabilidade genética e tornam-se mais sujeitas à extinção é chamado de DERIVA GÊNICA. Logo, a resposta correta é a alternativa B.

32) Esta questão fala sobre as características de biomoléculas, como o glicogênio e os lipídios. O glicogênio é um polissacarídeo formado por várias moléculas de glicose e atua como reserva de energia dos animais. Os lipídios, por sua vez, também são importantes reservas energéticas. Então, diz-se que o glicogênio apresenta uma vantagem em relação aos lipídios e pede-se para indicar qual das alternativas apresenta esta vantagem. Inicialmente, duas alternativas podem ser descartadas: a letra B e a letra C. A alternativa B diz que o glicogênio é uma molécula compactada; isso não é verdade, visto que o mesmo apresenta grande tamanho e alto peso molecular. Por outro lado, a alternativa C informa que o glicogênio produz maior quantidade de energia; tal afirmativa também é incorreta, visto que os lipídios são moléculas mais calóricas que os carboidratos; um grama de lipídio contém 9Kcal, enquanto um grama de carboidrato contém apenas 4kcal.

Agora, teremos que comparar as alternativas A e D. A primeira fala sobre o processo de hidrólise (quebra por ação da água), enquanto a segunda menciona a solubilidade em água. Dessas duas alternativas, qual pode representar uma vantagem para a molécula de glicogênio? A resposta é simples: por ser uma molécula mais instável que os lipídios, o glicogênio tem maior capacidade de sofrer hidrólise. Logo, a resposta correta é a alternativa A.

35) Esta questão exige conhecimentos sobre os processos de fotossíntese e respiração celular. O enunciado apresenta o experimento realizado, indicando que uma determinada solução de cor vermelha foi adicionada a 4 tubos de ensaio e que, em cada tubo, adicionou-se um determinado ser vivo:

– Tubo I: algas

– Tubo II: algas

– Tubo III: caramujos

– Tubo IV: algas e caramujos

Em seguida, diz-se que os tubos I e III foram iluminados com luz amarela, enquanto os tubos II e IV foram iluminados com luz azul. Por fim, pergunta-se qual tubo mudou a cor de vermelho para roxo mais rapidamente.

Para resolver esta questão, basta analisarmos a ocorrência de fotossíntese e respiração em cada tubo, assim como a taxa de fotossíntese em função do tipo de luz utilizado.

Primeiramente, devemos analisar, em quais tubos, a taxa de fotossíntese deverá ser maior e menor. Para isso, analisem o gráfico. Após isso, pergunto a vocês: “Quais tubos apresentam maior taxa de fotossíntese? I e III ou II e IV?”; a resposta é simples: de acordo com o gráfico, os tubos II e IV (iluminados com luz azul) apresentam maior taxa de fotossíntese, enquanto os tubos I e III apresentam taxa fotossintética mais baixa.

Sabendo disso, devemos nos perguntar: “No tubo em que a cor vermelha se transforma mais rapidamente em roxo, deverá haver aumento ou redução da concentração de CO2?”; repare que o próprio enunciado nos dá essa informação na primeira figura, indicando que a diminuição da concentração de CO2 é que faz a solução ficar roxa. Então, devemos nos perguntar: “Para que a concentração de CO2 diminua mais rapidamente e a solução fique roxa, deveremos aumentar ou diminuir o consumo de CO2 nos dois tubos?”; se o objetivo é reduzir a quantidade de CO2, o consumo terá que aumentar. Então, pergunto: “Qual processo consome CO2?”; a resposta é fotossíntese. Sendo assim, podemos deduzir que, quanto maior a taxa de fotossíntese, maior será o consumo de CO2 e mais rapidamente a solução mudará de vermelho para roxo.

Tendo isso em mente, vamos relembrar que deduzimos anteriormente que a taxa de fotossíntese era maior nos tubos II e IV. Agora, devemos nos perguntar: “Em qual desses tubos a mudança de vermelho para roxo ocorrerá mais rapidamente?”.  Repare que o tubo II só possui algas, ou seja, elas poderão consumir CO2 na fotossíntese e produzi-lo por meio da respiração celular. No tubo IV, temos algas e caramujos; as algas irão consumir CO2 na fotossíntese e produzi-lo na respiração, enquanto os caramujos irão apenas produzir CO2 na respiração celular. Sendo assim, em qual dos dois tubos, a concentração de CO2 se reduzirá mais rapidamente? Repare que no tubo IV, tanto as algas quanto os caramujos produzem CO2, ou seja, a redução da quantidade desse gás será mais lenta quando comparada ao tubo II, que só contém algas. Sendo assim, a diminuição da quantidade de CO2 e, consequentemente, a mudança mais rápida da cor vermelha para roxa ocorre no tubo II. Logo, a resposta correta é a alternativa B.

43) Esta questão exige conhecimento sobre o controle hormonal da glicemia. O enunciado apresenta três gráficos. O primeiro representa a concentração de glicose no sangue de dois indivíduos A e B. O segundo e o terceiro, por sua vez, representa a concentração de dois hormônios no sangue desses indivíduos.

A pergunta menciona que um dos indivíduos sofre de diabetes tipo II e pede-se para identificá-lo. Para resolver este problema, basta observar a característica mais marcante do diabetes, a hiperglicemia (taxa elevada de glicose no sangue). Ao analisarmos o primeiro gráfico, vemos que o indivíduo A possui taxa de glicose mais elevada. Portanto, este é o indivíduo diabético.

Além disso, pede-se pra identificar qual gráfico (X ou Y) representa o hormônio glucagon. Para resolver isso, basta lembrar que dois hormônios, produzidos pelo pâncreas, afetam a glicemia: a insulina e o glucagon. Em postagens anteriores já discutimos os efeitos desses dois hormônios, mas vale a pena relembrar:

– A insulina é um hormônio produzido e liberado no sangue quando o corpo encontra-se bem alimentado; seus principais efeitos envolvem a redução da glicemia e o estímulo do armazenamento de glicose sob a forma de glicogênio no fígado e no músculo, assim como o armazenamento de triglicerídeos no tecido adiposo.

– O glucagon é produzido e liberado no sangue em condições de jejum e estimula a síntese de glicose, assim como o consumo das reservas energéticas (glicogênio e triglicerídeos).

Tendo essas informações, devemos analisar os gráficos X e Y. Após a ingestão de glicose (tempo 0), o que deverá ocorrer com os níveis de insulina e glucagon? A resposta é simples: após a ingestão de glicose, temos um estado bem alimentado; logo, os níveis de insulina tendem a aumentar e os de glucagon tendem a diminuir. Sendo assim, o gráfico Y representa o glucagon. Desse modo, a resposta correta é a alternativa B.

44) Esta questão aborda o conceito de biomassa e compara este parâmetro em dois ecossistemas distintos: terrestres e marinhos.

Para resolvê-la, basta recordar o conceito de biomassa, que envolve a quantidade de matéria orgânica por área presente um dado nível trófico e comparar os dois ecossistemas:

– Terrestres: apresentam grande diversidade de produtores de maior porte, amplamente distribuídos. Logo, possuem maior biomassa quando comparado aos demais níveis tróficos;

– Marinhos: apresentam menor diversidade de produtores (basicamente as algas) com pequeno porte e são amplamente consumidas pelos consumidores primários, que apresentam maior biomassa.

Sabendo disso, a resposta correta é a alternativa C.

Anúncios

Olá vestibulandos,

O segundo exame de qualificação da UERJ se aproxima e hoje trazemos uma lista com 10 questões de fisiologia animal retiradas diretamente de exames anteriores da universidade. Este tópico tem costume de ser abordado. Então, é sempre bom estar atentos. Bora estudar!!! Rumo ao conceito A!!!

Abaixo, temos o link com a lista das questões:

FISIOLOGIA ANIMAL

Vamos aos comentários:

1) Esta questão apresenta uma resolução simples e direta, bastando apenas observar as informações que o enunciado nos apresenta:

– As lipases são enzimas que realizam a digestão de lipídios;

– O medicamento mencionado inibe essas enzimas (as lipases), possibilitando a perda de peso;

Tendo isso em mente, devemos nos perguntar: “Em qual órgão as lipases são produzidas?”. A resposta é simples: a lipase é uma enzima presente no suco pancreático e, portanto, é produzida no pâncreas. Logo, a resposta correta é a letra C.

A tabela abaixo resume bem o processo de digestão química e auxilia na resolução da maioria das questões sobre enzimas digestivas:

digestão

2) Esta questão aborda a temática sobre ciclo menstrual e regulação por feedback. Para resolvê-la, vamos focar sobre o processo regulatório da produção de hormônios. Observe o texto abaixo:

– O hipotálamo e a hipófise apresentam importante papel no controle da produção de hormônios pelas diversas glândulas endócrinas. O primeiro é responsável por controlar a produção de hormônios pela hipófise. Esta, por sua vez, controla a produção de hormônios da tireoide, das glândulas adrenais e das gônadas (ovários e testículos). Este processo de regulação é extremamente essencial para a manutenção dos níveis hormonais adequados às diversas condições a qual o organismo é exposto e também representa uma forma do corpo responder às diversas mudanças. Geralmente, alguns hormônios hipotalâmicos (TRH, GHRH, etc) estimulam a produção e liberação de hormônios pela hipófise e esta, por sua vez, estimula a produção de hormônios na tireoide, nas adrenais e nas gônadas. Neste caso, onde os níveis de um hormônio estimulam a produção de outro, fala-se em feedback positivo, pois aumenta-se a intensidade da resposta. No entanto, níveis elevados de um determinado hormônio, podem diminuir a produção de outro, falando-se em feedback negativo. Observe a tabela abaixo, que apresenta três exemplos desse tipo de regulação:

feedback

Nos três casos, os estímulos fornecidos pelos hormônios hipotalâmicos e hipofisários representam casos de feedback positivo, pois aumentarão os efeitos gerados pelos hormônios produzidos pelas demais glândulas endócrinas. Contudo, quando os níveis dos hormônios produzidos por tireoide, adrenais e gônadas tornam-se muito elevados, os mesmos tendem a inibir (diminuir) a produção de hormônios pela hipófise ou mesmo pelo hipotálamo; nesse caso, fala-se em feedback negativo. Ambos os mecanismos tendem a favorecer a restauração da homeostase (equilíbrio corporal).

Sabendo o que foi explicado acima, podemos resolver a nossa questão. Os hormônios FSH e LH, cujos níveis estão apresentados nos gráficos, controlam a produção de progesterona e estrogênio pelos ovários. Sendo assim, se uma mulher toma anticoncepcional (que contém progesterona e estrogênio), os níveis desses dois hormônios tenderão a aumentar no sangue. Uma vez que a quantidade de progesterona e estrogênio está maior, ocorrerá inibição da liberação de FSH e LH pela hipófise, de modo que os níveis dos dois se reduzam. Sendo assim, a resposta correta é a letra C.

3) Esta questão fala sobre a regulação hormonal da função renal. Para resolvê-la, basta utilizarmos as informações presentes em seu enunciado. Algumas dessas informações são extremamente relevantes, como:

– O hormônio aldosterona aumenta a absorção de Na+ pelos túbulos renais;

– Quanto a menor a concentração de Na+ nos líquidos extracelulares, maior será a produção de aldosterona.

Sabendo disso, vamos analisar a pergunta apresentada na questão. Diz-se que um paciente foi submetido a uma rígida dieta com restrição de NaCl e pede-se pra indicar qual curva do gráfico representa a alteração nesse paciente em função dessa dieta. Inicialmente, vamos analisar a dieta: “Se a dieta impõe restrição à ingestão de NaCl, o que ocorrerá com a concentração de Na+ no organismo?”; tenderá a diminuir, visto que o paciente está ingerindo pouco sódio em sua dieta. Agora, vamos raciocinar: “Se a concentração de Na+ está diminuindo, o que ocorrerá com a produção de aldosterona?”; o próprio enunciado já nos diz que a produção desse hormônio irá aumentar. Agora, pergunto a vocês: “Se a produção de aldosterona aumenta, o corpo absorverá mais ou menos Na+?”; é claro que irá absorver maior quantidade de sódio. Contudo, a questão apresenta um problema. O gráfico apresenta a taxa de absorção de água em vez da absorção de sódio. Ora, isso é simples: se estamos reabsorvendo mais sódio, a tendência é que o corpo reabsorva maior quantidade de água, visando manter o equilíbrio osmótico e hidrossalino. Sendo assim, a curva III representa o caso desse paciente e, portanto, a resposta correta é a alternativa B.

CURIOSIDADE: vimos nesta questão que, quanto maior a reabsorção de sódio, maior a reabsorção de água. Este mesmo princípio explica a razão pela qual o sal eleva a pressão arterial. Quando ingerimos grande quantidade de sódio, o corpo tende a reabsorver mais água, elevando o débito cardíaco (volume de sangue bombeado pelo coração em um minuto), o que provoca o aumento da pressão.

4) Esta questão fala sobre o uso de pastilhas de iodeto de potássio para tratar tumores em determinada glândula endócrina. Para resolvê-la, basta recordarmos qual das glândulas mencionadas nas alternativas necessita de iodo para produzir seus hormônios. A única glândula, cujo iodo está presente em seus hormônios é a TIREOIDE. A falta desse nutriente pode provocar hipotireoidismo, que é uma insuficiência na produção de hormônios tireoidianos, que afeta o metabolismo. Sendo assim, a resposta correta é a alternativa A.

5) A resolução desta questão requer conhecimento sobre os valores de pH ideais para a ação das enzimas digestivas. Para resolvê-la, podemos usar a tabela apresentada na resolução da questão 1. Se consultarmos esta tabela, veremos que o suco duodenal apresenta valor de pH variando na faixa entre 7 e 8. Logo, suas enzimas apresentam maior atividade nessa faixa de pH. Agora, devemos analisar cada uma das curvas apresentadas e verificar em quais valores aproximados de pH, as mesmas apresentam atividade máxima. Ao fazerem isso, vocês deverão verificar:

– Curva X: a atividade enzimática máxima está na faixa de pH entre 7 e 8.

– Curva Y: a atividade enzimática é máxima em pH igual a 10.

– Curva W: a atividade enzimática é máxima por volta de pH igual a 2.

– Curva Z: a atividade enzimática é máxima em valor de pH entre 11 e 12.

Analisando cada caso, devemos nos perguntar: “Qual dessas curvas apresenta uma atividade enzimática máxima condizente com as características do suco duodenal obtidas na tabela da resolução da questão 1?”. A resposta é simples: somente a curva X representa uma enzima que atue melhor em pH na faixa entre 7 e 8. Sendo assim, a resposta correta é a alternativa B.

6) Esta questão aborda a temática sobre regulação do pH sanguíneo. Para resolvê-la, devemos relembrar que a concentração de CO2 no sangue é capaz de influenciar o pH do mesmo. Isso se deve à ocorrência da reação química abaixo apresentada:

ácido

Nesta reação, o CO2 reage com a água, formando ácido carbônico (H2CO3). Este, por sua vez, pode se ionizar e formar íons H+ e HCO3 (bicarbonato). O bicarbonato e o ácido carbônico formam um sistema-tampão do sangue, ou seja, um mecanismo que buscar impedir grandes variações no pH sanguíneo. Isto significa que, quando houver excesso de ácido no sangue, a formação de bicarbonato na segunda reação aumentará, de modo a neutralizar essa acidez. Por outro lado, se houver excesso de bases no sangue, a formação de ácido carbônico na segunda reação será favorecida e o pH voltará ao normal.

Agora que já sabemos o conceito, vamos tentar resolver a questão. No enunciado fala-se em um equipamento responsável pela remoção do CO2 de uma cápsula espacial. Após isso, diz-se que, em determinado momento, o equipamento parou de funcionar e pergunta-se o que ocorrerá com o pH sanguíneo sob estas condições. Vamos raciocinar cada situação separadamente. Primeiro, devemos nos perguntar: “Se o equipamento parar de funcionar, o que ocorrerá com a concentração de CO2 no interior da cápsula?”; a resposta é que a concentração de CO2 aumentará, visto que não está ocorrendo mais a sua remoção daquele ambiente. Em seguida, devemos nos perguntar: “Com o acúmulo de CO2 dentro da cápsula, o que ocorrerá com a concentração desse gás no sangue da tripulação?”; novamente a concentração aumentará, visto que estarão inalando maior quantidade deste gás. Por fim, devemos nos perguntar: “Se a concentração de CO2 está alta no sangue, formaremos maior ou menor quantidade de ácido carbônico?”; é claro que formaremos mais ácido carbônico.

Sabendo disso, basta deduzirmos a resposta. Concluímos que a falha no equipamento leva a uma maior produção de ácido carbônico. Se estamos aumentando a quantidade de ácido no sangue, o pH diminuirá. Logo, a resposta correta é a alternativa D.

FIQUE ATENTO!!!!

equilíbrio ácido básico

7) Esta questão aborda a temática sobre a digestão de proteínas e a quantidade do produto desse processo (os aminoácidos) em diversos compartimentos do tubo digestivo. Para resolvê-la, basta recordarmos que a digestão de proteínas ocorre em três compartimentos específicos: estômago, duodeno e jejuno-íleo. Outra informação relevante para sua resolução é que a digestão proteica se inicia no estômago, prossegue no duodeno e completa-se no jejuno-íleo.

Sabendo disso, a resolução da questão torna-se bastante simples. Uma vez que a digestão de proteínas se inicia no estômago, a quantidade de aminoácidos (produtos finais da digestão proteica) nesse órgão tende a ser menor que nos outros dois citados no enunciado. Sendo assim, o estômago é representado pela curva Y. No duodeno, a digestão de proteínas irá prosseguir e a quantidade de aminoácidos tende a aumentar; contudo, como a digestão proteica ainda está ocorrendo no duodeno, sua quantidade não será ainda a quantidade total (final) de aminoácidos obtidos na digestão de proteínas. Logo, o duodeno é representado pela curva Z. No jejuno-íleo, após todo o processo de digestão proteica ter ocorrido, estará presente toda a quantidade final de aminoácidos. Logo, este órgão é representado pela curva X. Sendo assim, a resposta correta é a letra D.

8) A resolução desta questão é bastante simples. Exige apenas o conhecimento sobre as características das principais excretas animais:

– Amônia: composto bastante solúvel em água e principal excreta de peixes ósseos e invertebrados aquáticos;

– Ureia: composto solúvel em água e principal excreta de mamíferos, peixes cartilaginosos e anfíbios adultos;

– Ácido úrico: composto pouco solúvel em água e principal excreta de répteis e aves.

Tendo em vista as informações acima apresentadas, podemos deduzir que o ser humano (que é um mamífero) é representado pelo gráfico 1, onde maior quantidade de ureia é eliminada, enquanto os répteis são representados pelo gráfico 3, visto que maior quantidade de ácido úrico é eliminado neste caso. Sendo assim, a resposta correta é a alternativa A.

9) Para resolver esta questão podemos utilizar algumas informações discutidas em um tópico anterior sobre questões de bioquímica na prova da UERJ. Em tal tópico, citei as seguintes informações:

– Sob estado bem alimentado, pouco tempo após a refeição, os níveis de um hormônio pancreático chamado de INSULINA se elevam no sangue. Este hormônio irá ativar algumas vias metabólicas, como, por exemplo, a glicólise (quebra da glicose em piruvato) e a glicogênese (síntese de glicogênio), assim como a síntese de ácidos graxos a partir de acetil-CoA e o armazenamento de triglicerídeos no tecido adiposo. Sob estado de jejum, um outro hormônio pancreático, chamado GLUCAGON, passa a controlar as diversas vias metabólicas, ativando as vias de degradação (catabolismo), como, por exemplo, a glicogenólise (quebra de glicogênio em glicose), o consumo dos triglicerídeos presentes no tecido adiposo e a oxidação dos ácidos graxos, a desaminação dos aminoácidos (que gera piruvato e intermediários presentes no ciclo de Krebs) e ativa uma via de síntese chamada de gliconeogênese (síntese de glicose, a partir de intermediários como piruvato, glicerol ou aminoácidos). Em resumo, a insulina estimula o organismo a “guardar” a glicose no fígado sob a forma de glicogênio e os ácidos graxos no tecido adiposo sob a forma de triglicerídeos. O glucagon, por sua vez, estimula o consumo das reservas energéticas (glicogênio hepático e muscular e os triglicerídeos), assim como a síntese de glicose no corpo.

 Analisando o esquema apresentado na questão e observando as informações apresentadas acima conseguiremos resolvê-la sem maiores dificuldades. Então, analisemos o que é observado no esquema:

 – Fígado: se observarem com atenção, no fígado está ocorrendo quebra do glicogênio em glicose e síntese de glicose a partir de aminoácidos. Essas características são condizentes com o estado de jejum, como mencionado no texto acima.

– Sangue: repare que a glicose está saindo do fígado e indo para o sangue, ficando acumulada no mesmo.

– Tecido adiposo: está ocorrendo quebra de triglicerídeos em ácidos graxos e glicerol. Essa condição também é comum quando temos um estado de jejum.

– Músculo: está recebendo ácidos graxos provenientes do tecido adiposo e oxidando-os até CO2 e H2O para produzir energia.

 Agora que observamos isso, analisemos cada uma das alternativas apresentadas:

– Repouso: essa condição corresponde à situação em que o suprimento de energia está alto no corpo, ou seja, o organismo está bem alimentado. Neste caso, os níveis de insulina deveriam estar elevados e os processos de síntese de glicose e quebra de glicogênio e triglicerídeos, assim como a oxidação de ácidos graxos não deveriam estar ocorrendo. Logo, o esquema não representa tal situação.

– Hiperinsulinismo: condição em que os níveis de insulina estão elevados no sangue. Nesse caso, não deveriam ocorrer a síntese de glicose, a quebra de triglicerídeos e glicogênio, assim como a oxidação de ácidos graxos. Logo, o esquema não representa tal situação.

– Dieta hiperglicídica: condição em que uma pessoa consome grande quantidade de glicídios (carboidratos) em sua alimentação. Nesta circunstância, o corpo não necessita consumir o glicogênio armazenado no fígado e nem sintetizar mais glicose. Logo, o esquema não representa esta situação.

– Diabetes melito: doença em que ocorre hiperglicemia (excesso de glicose no sangue), como observado no esquema. Em função da falta de insulina, a glicose não é levada para o interior das células, de modo que o corpo passa a consumir suas reservas energéticas, como, por exemplo, os triglicerídeos e o glicogênio, assim como sintetizar glicose e oxidar ácidos graxos. Todos esses efeitos são observados no esquema.

Sendo assim, a resposta correta é a letra B.

10) Esta questão fala sobre as junções neuromusculares. Para resolvê-la, devemos lembrar de algumas informações:

– A contração muscular depende de estímulos fornecidos por uma terminação nervosa. Esse estímulo é gerado por substâncias, chamadas de neurotransmissores, que são liberadas pelos neurônios e que atuam sobre receptores presentes no músculo. Uma dessas substâncias com papel de induzir a contração muscular é a acetilcolina.

– O processo de contração muscular envolve alguns eventos. Inicialmente, mediante o estímulo do neurotransmissor (por exemplo, acetilcolina), o cálcio presente no retículo sarcoplasmático é liberado, ocupando o citosol (citoplasma) da fibra muscular. Esse processo desencadeia a contração muscular.

Tendo em vista as informações acima, podemos resolver a questão sem maiores dificuldades. Repare que no enunciado diz-se que o aldicarb (chumbinho) inibe uma enzima chamada acetilcolinesterase, que é responsável pela degradação da acetilcolina e pergunta-se qual gráfico representará a concentração de cálcio no retículo sarcoplasmático e no citosol do músculo de uma pessoa que tenha ingerido essa substância.

Vamos raciocinar com calma. O aldicarb inibe a acetilcolinesterase; qual será o efeito desta inibição? A resposta é simples: se a acetilcolinesterase degrada a acetilcolina e está inibida, não haverá degradação de acetilcolina e a mesma se acumulará na junção neuromuscular. Agora, vamos nos perguntar: “Se temos acúmulo de acetilcolina, o que ocorrerá com o cálcio?”; vimos acima que, mediante o estímulo da acetilcolina, o cálcio sai do retículo e vai para o citosol. Sabendo disso, o que ocorrerá com a quantidade de cálcio no retículo e no citosol? A resposta é simples: a quantidade de cálcio diminuirá no retículo e aumentará no citosol. Sendo assim, vemos que apenas o gráfico II representa tal situação. Logo, a resposta correta é a alternativa B.